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A Cazzaria
Coluna: Livros em Blocos, por Marli Berg - 07/nov/2007

Marli  Berg é jornalista, crítica teatral, colunista literária de "Ele Ela",
"Manchete", "O Globo" e autora de romances de fiçcão

Arquivos: índice dos títulos dos livros indicados em colunas anteriores - de 1 a 49, de 50 a 99, de 100 a 150, de 151 a ... (atual)

Coluna de 7/11/2007 - nº 188
(próxima coluna: 17/11)

O EROTISMO COMO PORNOGRAFIA: O ESTRANHO CAMINHO DA ARTE A PROCURA DA BELEZA

O erotismo, como linguagem, pode ser manifestação de diversas facetas humanas e sociais, principalmente quando usado com arte, luxúria, prazer e sabor. Mas quantos autores conseguiram esta proeza, ao longo da história da literatura? Sem resvalar no vulgar – apesar das palavras chulas empregadas – mas roçando o sublime cristal dos sentidos, três livros, que se pode chamar de arte, chegam às livrarias, para prazer (em todos os sentidos) e deleite dos sensuais, que colocam a lascívia no mesmo patamar dos manjares dos deuses. Portanto, senhoras e senhores, deliciem-se com a fantástica coleção Humanismo Libertino, da Editora Degustar, e tentem entender, com sensibilidade, o que se passa nos recantos mais profundo do ser humano – de seu corpo e alma. São três livros, três jóias da literatura erótica, escritos por gênios da época em que viveram. Vamos a elas:

A Cazzaria (Degustar) tem como título um neologismo italiano, criado por Antonio Vignali, no século XVI. Um clássico do erotismo, o livro é uma paródia dos diálogos escolásticos aristotélicos, bem em voga na época, em que dois homens debatem assuntos de alta pornografia, misturando a mais fina retórica com os nomes mais vulgares que se pode usar para designar as partes íntimas humanas. Retórica sofisticada, mesclada a mais pura galhofa, criam um clima literário de maravilhoso nonsense, que pode ser considerado precursor de Ionesco e outros grandes nomes do Teatro do Absurdo.

Com uma grande qualidade adicional: é um brilhante documento de época, uma foto do que se passava, em termos de sexualidade e luxúria, nos salões onde a aristocracia usava seu prestígio para se despir do pudor, e curtir o grande prazer. O autor, Antonio Vignali de Buonagiunti, viveu em plena Renascença Italiana, dedicou-se às letras jurídicas, e, por motivos políticos, saiu de Siena, sua terra natal. Fundou a Academia dos Aturdidos, que existe até hoje, com interesses essencialmente artísticos e literários. Um grande gênio, que usou o erotismo, as palavras chulas, e a proposta do prazer sexual desmistificado, como uma fantástica metalinguagem.

Pornólogos I – Diálogo das Cortesãs (Degustar) de Pietro Aretino, mais importante escritor erótico e pornográfico da Renascença. A ele é atribuída a invenção da imprensa de opinião, de investigação, e da chantagem, e sua pena satírica era, de tal forma mordaz e temida, que ele chegava a receber pagamento para não dizer nada a respeito da pessoa que lhe oferecia o dinheiro.

Brilhante, arrogante, sagaz, Aretino marcou a cultura européia de seu tempo, com Os Sonetos Luxuriosos e os Ragionamenti, cujo primeiro volume é aqui apresentado, com os três dias de diálogo entre uma rica prostituta aposentada e uma amiga prostituta pobre, argumentando sobre qual a melhor ocupação que deve ter Pippa, filha da primeira, que tem 17 anos: freira, puta ou dona de casa? Talvez a melhor opção para a moça seja a de cortesã. Um clássico de fino trato erótico.


Os Segredos do Amor e de Vênus de Luisa Sigea (Degustar) de Nicolas Chorier, um diálogo entre uma mulher casada e sua jovem prima, às vésperas do casamento, é um verdadeiro manual do sexo, e também, uma apologia ao direito da mulher de ter pleno prazer sexual, numa sociedade que era repressiva.ao extremo em relação a mulher. Considerada a mais destacada obra erótica européia do século XVII, seu autor foi o advogado francês – também historiador - nascido em 1692, mas que ficou conhecido por esta obra que atravessou os tempos, primorosa no estilo, e da maior importância no conteúdo.

Três livros extraordinários, com ilustrações de época, editados com cuidado e precisão,verdadeiras preciosidades históricas, que atravessaram os séculos mostrando
que o erotismo, sob suas diversas formas, é primordial e fundamental ao exercício pleno da condição humana,e que, sem ele, certamente não haveria continuidade da espécie. Um trabalho editorial de fôlego, que é preciso ler, louvar e divulgar.

 

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